sábado, 3 de março de 2012

A INSTRUMENTAÇÃO PARA A EVOLUÇÃO DO MAÇOM

A INSTRUMENTAÇÃO PARA A EVOLUÇÃO DO MAÇOMPDFVersão para impressão


Praticamente a grande maioria dos escritores maçons, em algum momento de suas obras, dedicaram importantes e substanciais linhas, senão trabalhos e livros inteiros, a discorrer sobre a importância da simbologia para a Maçonaria. Torna-se praticamente impossível referir-se a Ordem Maçônica, sem aludir aos símbolos que a representam e àqueles utilizados no processo de repasse de sua doutrina e ensinamentos.

Cada Vez que se analisa um símbolo referente à Maçonaria, esta análise por mais que seja baseada em outras tantas já publicadas, será normalmente original. A visão que se possui sobre um símbolo é sempre pessoal e intransferível. São estas múltiplas visões que dão a Ordem Maçônica o caráter dinâmico e de adaptação aos novos tempos e as novas idéias que constantemente surgem.

Segundo Fernando Pessoa, em nota preliminar ao seu livro "Mensagem", o entendimento e a assimilação das mensagens contidas em um símbolo dependem de cinco qualidades ou condições consideradas básicas:
. Simpatia;
. Intuição;
. Inteligência;
. Compreensão ou Discernimento;
. Graça ou Revelação.
Na Maçonaria a maior parte dos símbolos e metáforas que são utilizados, provêm da antiga atividade profissional e corporativa dos pedreiros medievais. Construtores que eram, principalmente de Igrejas, grandiosas Catedrais, sólidos castelos e fortalezas, os pedreiros medievais corporativamente organizados constituíam a Maçonaria Operativa que evoluiu para as Organizações Maçônicas Simbólicas e Especulativas contemporâneas:

"Embora não haja documentação que o comprove, deve-se admitir que os Maçons Operativos, os franco-maçons, usavam seus instrumentos de trabalho como símbolos de sua profissão, pois caso contrário não se teria esse simbolismo na Maçonaria Moderna. A existência desse simbolismo é a mais evidente demonstração de que houve (...), contatos diretos entre os Maçons Modernos e os franco-maçons profissionais, e demorados o suficiente para que essa transmissão se consolidasse (...)" (PETERS, 2003, passim)

O escritor Ambrósio Peters, nos coloca ainda que aqueles que seriam os símbolos principais e essenciais a existência da atual Maçonaria Especulativa (Simbólica). Cabe destacar também que são destes símbolos que os Maçons metaforicamente retiram os princípios básicos e os seus principais ensinamentos éticos e morais:

"O trabalho dos franco-maçons, limitava-se aos canteiros de obras e à construção em si. Os instrumentos que eles usavam eram o esquadro, o compasso e a régua para determinar a forma exata das pedras a serem lavradas, o maço e o cinzel, para dar-lhes a forma adequada, e o nível e o prumo, para assentá-las com perfeição nos lugares previstos na estrutura da obra. Eram, portanto três diferentes grupos de instrumentos, cada qual representando uma etapa da obra (...)" (Idem)

Podemos, com base no trabalho desenvolvido pelos pedreiros medievais, concluir que existiam três diferentes grupos de instrumentos operativos. Cada um destes instrumentos estava ligado a uma das fases da construção. Cada fase exigia do construtor um nível diferente de conhecimento para a sua execução e finalização:
. A medição ou especificação do tamanho e do formato das pedras;
. O desbaste, adequação das formas e o polimento para dar o acabamento adequado às pedras;
. A aplicação e o assentamento das pedras na construção.
Estes conjuntos de instrumentos que são necessários a execução de cada etapa da obra., indicam na Ordem Maçônica, simbolicamente os diversos Graus que nela existem. Cada Grau, representa na Maçonaria, todo um conjunto de conhecimentos que são necessários ao aperfeiçoamento e ao crescimento moral e ético dos Maçons.

Uma das muitas certezas que a vida em sociedade e a evolução do conhecimento humano nos deram, foi a de que nem todos os homens assimilam de maneira semelhante as mensagens da Simbologia Maçônica. Como se coloca em alguns rituais: devemos pensar mais do que falamos. A reflexão e a conseqüente meditação são essenciais a compreensão da linguagem maçônica.

O avanço pelos diversos graus, portanto não deve ser considerado pelo tempo que esta sendo empregado, não devem ser conduzidos pela pressa. o que deve ser levado em conta é o esforço individual e o desprendimento pessoal de cada Maçom, conforme o seu potencial e capacidades para poder galgar com segurança e sabedoria os degraus da Escada de Jacó.


Bibliografia: 
BONDARIK, Roberto - A Interpretação e o Entendimento dos Símbolos.
Escolas do Pensamento Maçônico. In: A Trolha: Coletânea 6. Londrina: A Trolha, 2003. p.141-151;
CAMPANHA, Luiz Roberto - A Filosofia e a Análise dos Símbolos. In: Caderno de Pesquisas 20. Londrina: A Trolha, 2003. p.33-40;
PESSOA, Fernando - Associações Secretas.
PETERS, Ambrósio - O Simbolismo dos Instrumentos.

A IMPORTÂNCIA DO PENSAR E CONHECER-SE NA MAÇONARIA

O Ser humano distingue-se dos demais animais pela capacidade de processamento de informações através do ato de pensar.

Pensar é formar idéias na mente, é imaginar, considerar ou descobrir. O filósofo René Descartes disse: “com a palavra pensar entendo tudo o que sucede em nós, de tal modo que o percebemos imediatamente por nós mesmos: portanto, não só entender, querer, imaginar, e sim também sentir é o mesmo que pensar”. Pensar estabelece relações, as conceitua e encontra um significado para elas. Formar relações entre vários conceitos é julgar. Estabelecer o significado de vários conceitos é raciocinar. Assim o ato de pensar implica três funções básicas: conceituar, julgar e raciocinar.

O pensador mexicano Antônio Caso dizia: "liberdade é pensamento. Pensamento é liberdade. Na essência do pensar está a autonomia." Partindo dessa última definição de que na essência do pensar está a autonomia, na Maçonaria o ato de pensar está diretamente ligado ao postulado da Liberdade. Liberdade para desenvolver seus conceitos a partir dos ensinamentos recebidos, porque somos livres e autônomos para falar e assumir posições, sem afastar-nos da filosofia maçônica e de seus princípios.

Filosoficamente, a Maçonaria mostra ao homem-maçom que ele tem um compromisso consigo mesmo, com o seu pensar, o que fazer de sua própria existência. Pois, quando o homem prescinde de si mesmo, de seus deveres, quando o homem abre mão da sua liberdade, da quantificação do seu Eu, quando o homem esquece de si próprio, está a negar-se como Ser.

Como a intenção desta prancha não é a de aprofundar a busca filosófica da arte real, vamos ao objetivo do pensar e o conhecer-se na Maçonaria, especialmente ao Primeiro Grau.

O Primeiro Grau se estereotipa no “conhece-te a ti mesmo”, divisa escolhida por Sócrates. O grande pensador ensina ao maçom-aprendiz que a primeira coisa a fazer é aprender a pensar. Aprendendo a pensar aprende-se a conhecer, a discernir, a falar. Aprendendo a pensar encontraremos, sem dúvida, meios e modos que facilitam a busca, a procura, a investigação, o ponto de chegada.

Assim, nesse vai-e-vem do pensar, nesse vai-e-vem da busca, o Aprendiz, introspectivamente, passará a conhecer-se melhor.

Conhecer é descobrir o Ser. Assim para o aprendiz, o descobrimento do Ser é o auto conhecimento e deve levá-lo à introspeção, à análise da sua forma de vida antes da iniciação. Estabelecendo a partir de então os limites entre o profano e o iniciado, corrigindo as eventuais falhas de construção de seu edifício, passando a pensar e agir dentro dos limites estabelecidos, que pode significar simbolicamente o nascimento do novo Ser.

O Maçom estará pronto para a busca dos conhecimentos da Ordem a partir do auto conhecimento e da “morte” dos resquícios contrários à filosofia maçônica inerentes ao profano.

“Conhece-te a ti mesmo” nos leva à conclusão de que se não praticarmos o conhecimento de nós mesmos, se não nos propusermos a esmiuçar o nosso espírito com o objetivo de melhorá-lo, com a intenção de aperfeiçoar nosso intelecto, não projetaremos em nós uma melhoria moral, não conseguiremos desbastar a Pedra Bruta. O Primeiro Grau é onde utilizamos com maior propriedade os sentidos da visão e da audição. Com eles desenvolvemos o Pensar, estabelecemos relações e comparações que formarão os alicerces do desenvolvimento e nos ajudarão nos passos seguintes da caminhada. Lembrando que todos iniciamos na Ordem pela coluna do Sul, no primeiro grau, e cada um tem seu momento de despertar, porque não existe prazo determinado para o seguimento da jornada. O que deve acontecer é a maturação do iniciado, uma etapa de cada vez, um degrau após o outro, e mesmo assim sem jamais deixar de ser Aprendiz, sem jamais deixar de utilizar os sentidos da visão e da audição com sabedoria. Cada degrau da escada de Jacob inexiste sozinho, ele sempre será o resultado do somatório do conhecimento adquirido nos degraus anteriores.

Pratique o Pensar para conhecer-se, para então buscar o diferencial, a formatação do novo Eu através do conhecimento, para a transformação, para o renascimento, para a prática da verdadeira maçonaria.

A intenção desta prancha é a de incentivar os irmãos para o Pensar, o conhecer-se, que é na minha opinião a primeira grande instrução do grau, para então desbravar, investigar a verdade através da leitura, da interpretação dos símbolos e alegorias, e da troca de experiências com os outros irmãos.





Bibliografia:
Matthew Lipman – O Pensar na Educação;
Raimundo Rodrigues de Albuquerque – Texto
Raimundo Acreano Rodrigues – Texto
Considerações pessoais

sexta-feira, 2 de março de 2012

Aprendiz Entendendo O Ritual

O objetivo Maçônico é o aprimoramento interior, para com isso melhorar seu relacionamento com a família, com o trabalho, com o Município, com o Estado e com a Humanidade. Para isso, precisamos olhar nossa liturgia, descobrindo o sentido e o objetivo do ritual, tendo a certeza que nada é dito ou feito por acaso, que não seja para facultar ao interessado, o descortinamento da Luz interior.
A metodologia Maçônica, procura através da Liturgia dos seus Rituais de Aprendiz, Companheiro, Mestre e os Filosóficos, nos formatar conhecimentos para o aprimoramento do nosso Interior, através de exercícios e fórmulas, que compreendidas, possibilitarão uma viagem iniciática interna, nos religando a energia Divina ou a iluminação da “Verdadeira Luz”.
Descreveremos de forma superficial alguns dos simbolismos que praticamos no Ritual do 1º Grau, para que os Irmãos depois façam a integração com os Rituais do 2º e 3º Graus, chegando as “finalidades mais elevadas”, como nos falam nossos Rituais.
Começaremos dando a informação que o nosso Templo é uma representação do microcosmo e do macrocosmo ao mesmo tempo. Como micro, é um corpo deitado em decúbito dorsal, com as pernas levantadas a 90º, onde a direita nós chamamos coluna J (Apr) e a esquerda coluna B (Comp), os braços de norte e sul, e a cabeça de Oriente (Mestr). Como macro é a própria Terra dividida em Norte, Sul, Leste e Oeste, situada no Universo, com todas as implicações das energias.
Dessas energias, a Maçonaria destaca quatro telúricas, que são também chamadas de Quatro Santos ou Devas, que presidem os pontos cardeais, que segundo a tradição cristã são respectivamente os arcanjos Gabriel, Miguel, Rafael e Uriel e, na Maçonaria são tratados pelos seus nomes N, S, L e O.
É por isso que antes de iniciar nossos trabalhos, o Rito Adonhiramita determina que quatro Irmãos, representando os quatro pontos, os quatro Anjos, as quatro energias telúricas, adentrem ao Templo, e só eles, revigorem a chama sagrada, dentro da ritualística que todos conhecem: o Arquiteto se colocando a Nordeste, forma um triângulo com o Mestre de Cerimônia e o Experto e invocam a graça do acendimento, trazendo as outras energias que nos chegam dos Cosmos.
Feito o acendimento, a Oficina passa a ter circulação do Grau. O Templo se transforma em Loja, em local sagrado com a presença da Luz Divina. Circulamos nos dois sentidos existentes para saturar todo o espaço da mais alta influência das correntes magnéticas que existem na Terra, e formar uma muralha para que essa magnetização se conserve. Temos a procissão em três colunas comandada pelo Mestre de Cerimônias, representando: Beleza – Norte; Força – Sul e Sabedoria – Oriente (centro).
No Hinduísmo são chamadas de Pingala (lado direito, J), Idâ (lado esquerdo, B), Sushumna (Oriente, centro).
O primeiro chamamento à reflexão é feito pelo M.’. Cer.’.: “se desde a meia noite, quando se encerraram os nossos últimos trabalhos, conservastes as mãos limpas, calçai as vossas luvas”. Nesse comento, avaliamos a nossa conduta. Se fomos dignos de ser Maçons, se estamos limpos e puros para participar dos trabalhos junto com os Ir.’.. È uma rápida viagem de auto avaliação do Eu Interior.
Após, o segundo chamamento à meditação, para que todos se preparem espiritualmente para ingressar no Templo deixando toda a negatividade, os pensamentos impuros de fora. Para a entrada o Mestre de Cerimônia se coloca no centro da porta, permitindo que as duas colunas adentrem, mas impede a do centro com a sua posição, até que as duas colunas estejam compostas. Isso nos induz a reflexão que só devemos trabalhar o Centro, após ter dominado o lado direito (Apr) e o esquerdo (Comp). Com os lados direito e esquerdo formados, permite que a Col:. do meio adentre para o Oriente, completando o desenvolvimento e alcançando a Luz (Mestr).
No nosso rito, desenvolvemos primeiro o lado direito Apr.’. depois o esquerdo Comp.’., para finalmente, desenvolver o centro ou Câmara do Meio (M.’.). E ao adotarmos o tratamento de AMADOS IRMÃOS, procuramos impregnar no nosso inconsciente a vibração do AMOR para que todas as nossas células possam exalar AMOR, pois Maçonaria é acima de tudo AMOR.
Procede-se a Incensação que objetiva harmonizar o ambiente tornando-o propício ao trabalho, libertando nossas negatividades e propiciando a ascensão da consciência a um Plano Superior.
Após a Incensação, ainda permanecendo o efeito do incenso no ambiente, a chama sagrada é transportada para os três comandos com as invocações de “Sabedoria, Força e Beleza” que representam. O M:. CCer:. durante o ritual mentaliza expandir essa Luz, levando a todos a Centelha da Divindade, abrindo um canal de comunicação por onde flui a energia vinda dos Planos Superiores.
O Cobridor indagado das horas, mostra ser simbolicamente o momento, dando doze batidas, que como mantras, através da vibração das pancadas, quebram as negatividades que ainda perdurem no Templo, ao mesmo tempo em que estabelece com o Zodíaco um canal para que suas qualidades nos assistam.
Forma-se o Pálio para abrir o Livro da Lei, que representa a consciência do corpo que formamos. A leitura nos lembra de um João – Janus, o mito de duas caras ligado aos solstícios, também chamado “Portas do Céu”, indicando o momento da entrada, e nos fala da Luz da qual que ele é testemunha, para que todos cressem, e afirma “que ele não era a Luz, mas que veio para mostrar a Luz verdadeira que Alumia a todo homem que vem a este mundo”.
Passamos ao encerramento com o Interrogatório e aviso de fechamento. Aviso a todas as forças e energias para fechar o canal que se encontra aberto. Na seqüência, a Oração com o agradecimento devido por tudo o que foi realizado. Forma-se o Pálio e fecha-se o Livro da lei, a nossa consciência.

Cargos em Loja

O primeiro dever dos dirigentes de uma Loja Maçônica é o PLANEJAMENTO. A curto prazo, esse planejamento consiste na simples e criteriosa elaboração da Ordem do Dia.
A diretoria deve, com antecedência, estabelecer os pontos de interesse da Oficina que serão apreciados na reunião. Ninguém deve ser pego de surpresa, com as calças na mão. A médio e longo prazos, o planejamento compõe-se da DEFINIÇÃO DOS OBJETIVOS DA LOJA:
  1. para que estamos aqui?
  2. em que ponto estamos?
  3. para onde vamos?
  4. que estratégias usar?
  5. quem cuidará de quê?
  6. metas de crescimento coletivo e/ou desenvolvimento pessoal
  7. auxílio aos Irmãos que, por acaso, tenham dificuldades para acompanhar o processo de concretização dos objetivos da Oficina.
Esses sete pontos perfeitos, aplicáveis ao justo progresso de qualquer empreendimento, pressupõem pessoas incumbidas de um OFÍCIO, envolvidas entusiasticamente numa ocupação. Essa ocupação pressupõe certo grau de habilidade e a aceitação dos riscos e dificuldades que envolvam os encargos. Só então, surge a transcendência do que chamamos Missão. Por isso, os que possuem esse grau de habilidade são chamados OFICIAIS.
Tradicionalmente, em todos os países, a estrutura dos cargos oficiais em Loja é o mesmo e seus nomes derivam do idioma e do antigo sistema parlamentar inglês.
São os seguintes os principais cargos dessa dinâmica OFICIAL e cujos títulos coloco, inicialmente, em inglês a exemplo das Lojas criadoras dos ritos. Em francês não é muito diferente: Worshipful Master é o mesmo que Venerável Mestre [le vénérable, em francês], cargo existente e obrigatório em TODOS os tipos de Loja – sejam simbólicas, especiais, de estudo, de pesquisas, autorizadas, ocasionais ou outras.
Isso porque, segundo o Landmark X, “o Governo da Fraternidade, quando congregada em Loja é exercido por um Venerável e dois Vigilantes. Qualquer reunião de maçons congregados sob qualquer outra direção, como, por exemplo, um presidente e dois vice-presidentes, não seria reconhecida como Loja.” Worshipful significa, para os ingleses, digno, honrado e respeitável. É assim que dever ser, ora essa…
Os dois vigilantes são chamados Senior Warden, ou Primeiro Vigilante [premier surveillant em francês] que, entre outras coisas, CUIDA DA INSTRUÇÃO DOS APRENDIZES; e o Junior Warden [deuxième surveillant]. O Segundo vigilante, entre outros encargos. além de bater malhete, CUIDA DA INSTRUÇÃO DOS COMPANHEIROS. A palavra warden, em inglês, significa gerente ou pessoa encarregada da observância de certas condutas; em francês, surveillant é aquele que mantém a ordem no local de trabalho, diferente do vigilant/vigilante que, nesses idiomas, tem o sentido de vigiar, que não é o nosso caso.
Vejam bem a quantas andaram nossas traduções! Acontece que muitos dos tradutores dos antigos rituais não conheciam a filologia nem a linguística, nem a morfologia do inglês ou do francês dos Séculos XVII e XVIII. Resultado: caíram nos falsos cognatos: Assim, “latir” espanhol gera o falso cognato latir – voz do cachorro – enquanto que significa bater, pulsar; apellido é sobrenome; exquisita é o mesmo que “deliciosa”; data em inglês significa dados, informações; injury, significa ferimento…

Continuando Cargos & Deveres Numa Loja

– O Marshal, Conductor ou Master of Ceremonies, [maître des cérémonies] é o Mestre de Cerimônias. Aqui a tradução está correta. DELE É O DEVER DE CONDUZIR OS RITUAIS. É o Diretor Ritualístico da Loja. Se a Oficina trabalha com ordem e perfeição, se os rituais são feitos com correção e sem atropelos, o mérito é do Conductor Mestre de Cerimônias. Nesse particular, aconselho os Mestres de Cerimônias a não aceitarem ingerências em suas funções, tampouco estalidos de dedos da plateia.
O Chaplain é o CAPELÃO da Ordem, reminiscência da função desempenhada pelos capelães nas antigas Ordens de Cavalaria: capelania castrense, ordinariato militar e capelania militar com atribuições religiosas, judiciais e de aconselhamento. É o responsável pela GUARDA DA LEI, pelo exato cumprimento da Legislação Maçônica e dos Landmarks.
É, digamos assim, o ministério público da Oficina devendo, portanto, ser exímio conhecedor da Constituição e Regulamento da Potência a que pertença a Loja, de todas as leis, decretos e responsável pelo trâmite processual da documentação inerente à regularidade da Loja. No Brasil, traduzimos o título a partir do françês l’orateur e Chaplain virou ORADOR. Pronto: alguns oficiais que ocupam esse posto julgaram seu dever estribado na elaboração de entediantes DISCURSOS.
Tornam-se tribunos sem toga e, muitas vezes, invadindo a seara dos Vigilantes ou do Mestre de Cerimônias, chamando a si o direito de conduzir rituais e dar instruções. E dá-lhe discurso! (Ruy Barbosa, maçom brilhante, jurista, diplomata, escritor, filólogo, e ORADOR DE VERDADE, levantaria do túmulo, ostentando nas mãos sua obra Anistia Inversa – Casa De Teratologia Jurídica, e gritaria um BASTA!)
O tesoureiro é o Treasurer dos ingleses ou guardião dos tesouros da Ordem, conforme o uso dos antigos Templários e ordens de cavalaria. O tesoureiro é o guarda do tronco e responsável pelo justo andamento das finanças e economia da Oficina. Noutras palavras: é o administrador de patrimônio da Loja. (Lembro-me que, nos meus dias de Aprendiz, um instrutor ensinava que o tronco de solidariedade tinha seu nome devido aos Templários que escondiam seus tesouros e moedas sob grossos troncos das árvores na floresta de Ardennes! Uau, acreditem se quiserem! pois “le tronc de bienfaisance” ou simplesmente TRONC significa, no caso, o cofre onde são depositadas as oferendas e esmolas. Vale lembrar que beneficência quer dizer filantropia e caridade; a isso se destina o tronco).
Secretary – secretário – é o chefe de gabinete do Venerável Mestre. Forma o principal elo de administração com o Tesoureiro e o Orador, cuidando para que a Oficina não se depare com problemas de ordem administrativa, legal e financeira. Dirigida por três, composta por cinco e completada por sete, longe de interpretações exotéricas, o sucesso das Lojas está no planejamento democrático, DISCUTIDO E AVALIADO COM CADA IRMÃO, na elaboração criteriosa da Ordem do Dia.
Os demais Oficiais não citados nesse artigo (Chanceler, Hospitaleiro, Diáconos, Expertos, Guarda e Cobridore, Mestres de Harmonia, de Banquetes, Arquiteto, Bibliotecário, Porta-Espadas e Bandeira, etc.) atuam entre as engrenagens do Venerável, Vigilantes, Orador, Secretário e Mestre de Cerimônias. Ninguém pode (nem deve) MONOPOLIZAR as sessões da Loja ou tornar-se alvo constante das atenções. Na Maçonaria buscamos uma ESCOLA e não professores.
Todos querem participar, muitos querem ser auxiliados em seu progresso na Maçonaria. A Oficina, como um todo, quer saber quais as metas de crescimento coletivo e pessoal, querem saber PARA QUE estão ali, que ponto chegamos e para onde vamos. Era mais ou menos isso que os marinheiros perguntavam a Cristovam Colombo: – “Maestro, dónde vamos?!”

Simbolismo dos Números 1, 2 e 3


Simbolismo dos Números 1, 2 e 3

Os números 1, 2, e 3, além do valor intrínseco, representam verdades misteriosas e profundas, ligadas intimamente à própria Simbologia das alegorias e emblemas que em nossos Templos, se patenteiam a nossa vista. Podemos notar que o número três é marcante no Grau de Aprendiz, está presente na Bateria, na Marcha e na Idade do Aprendiz.
Desde a mais antigas civilizações, o emprego dos números é muito frequente, e neste ponto a História vem em nosso auxílio, mostrando-nos que todos os povos da antiguidade fizeram uso emblemático e simbólico dos números e das fórmulas, em geral do número e das medidas.
O Simbolismo do Número 1 – (O Uno)
Suponhamos o UM abstrato, como sempre, mas independente, primário e total e não como unidade-medida ou como princípios de contagem das quantidades descontinuam de corpos separados e da mesma espécie. Então teremos uma idéia do UM em todos os números, ou da centelha da Essência em cada corpo, se é que os corpos são números como sustentou a escola pitagórica ou itálica. A formula, contudo, não impede considerar o UM inefável como a PESSOA da qual propana o sopro da vida e da alma vivente (Gêneses, 2/7: pois ele é o CRIADOR, Causa primaria e o indivíduo – Adão – é criatura. ELE é que pratica o ato – criação – de sua vontade). Para facilitar os estudos dos números a Maçonaria faz uso de emblemas para atrair a atenção sobre suas propriedades essenciais. Partindo do principio de que a unidade esta em nós e não no meio exterior, seja impossível a sua representação, mas a condensação do ideal do Justo, no Belo e no verdadeiro, expressa o mais valioso talismã que um iniciado pode possuir.
Simbolismo do Número 2 – (Binário)
Ao aprendiz se ensina que o DOIS pode representar a dúvida, a insegurança de afirmação ou negação. Há instruções que começam a simbolizar a dúvida pelo raciocínio 2 + 2 = 4
2 x 2 = 4, isto é, de como a soma pode ser igual ao produto, embora uma e outra não sejam definidos como a mesma relação aritmética, ao que se acresce o fato de potência, soma e produto se igualarem, quando o dois é parcela, fator, base e expoente. A filosofia do símbolo assim apresentado comera no grua de companheiro, no qual se definirão as aparências, a ambigüidade a que pode chegar o raciocínio., a duplicidade de atitudes de certos indivíduos par alcançar um só resultado, além de outros ensinamento esotéricos.
No Ritual prega restrições ao estudo profundo do binário porque sendo o binário símbolo dos contrários, da divisão, seria combater uma luta sem fim, à oposição cega. Ficando escravo do principio da divisão, que a Antigüidade batizou com o nome de inimigos. (Agrarmaniu, Cheetan, Satan, Mara, etc). Juntando–se ao binário o principio (a unidade), formamos o ternário e esta e a maneira de neutralizar a ambigüidade do número DOIS.

O Simbolismo do Número 3 – (Ternário)
A “constância do ternário”, desde as primeiras crenças e até na ciência, é apontada pela TRIMURTI – CRIAÇÃO DESTRUIÇÃO E CONSERVAÇÃO – ou Brahma, Shiva e Vishnu, e do fato de Lavoisier, haver formulado a LEI DA CONSERVAÇÃO DA MATÉRIA, cujo enunciado “NA NATUREZA NADA SE CRIA (um), NADA SE PERDE (dois), TUDO SE TRANSFORMA (Três).
O Triângulo lembra o ternário, a começar de suas relações com os três pontos que chegam a constar tradicionalmente nas abreviaturas maçônicas e no fim das assinaturas dos maçons, a lembrarem o AMOR (ou sabedoria), VONTADE e INTELIGÊNCIA bem como os três pontos dos vértices do Delta. Entende-se o Triângulo como o principal dos símbolos maçônicos, pôr varias razões, quando tratamos das inscrições do Tetragrama hebraico, da letra “G”(gott ou god) e do “Olho Que Tudo Vê” ao que se acresce o fato histórico e universal de se encontra o ternário ou uniternário em quase todas as religiões dos povos que constituíram civilizações
Das instruções de Aprendiz Maçom ainda constam: Presente, Passado e Futuro; Nascer, Viver e Morrer, Juventude, Maturidade e Velhice. Pai Mãe e Filho. Além das observações exposta, lembra-se que pela Geometria, se aprende que o Triângulo constrói e compõe todos os polígonos e que pela Trigonometria, quanto aos triângulos retângulo há relações binárias e opostas, denominada seno e coseno, tangente e contangente, secante e cossecante, pelas quais se conseguem cálculos importantes, inclusive de altura e distancias imensas. Finalmente o triângulo é uma figura plana que representa as três dimensões cumprimento, largura e altura.
Nas Lojas Maçônicas uma das mais profundas representações do Ternário, e o Delta Sagrado, e ainda podemos encontra em Loja os ternários; os três Grandes Pilares – (Sabedoria, Força e Beleza), as três Grandes Luzes (o Venerável Mestre, o Primeiro Vigilante e o Segundo Vigilante) e as três portas do Templo de Salomão.
No centro do DELTA podemos observar a s letras IOD, inicial do Tetragrama IEVE, símbolo da Grande Evolução, ou do que existiu, do que existe e do que existira.
O Tetragrama sagrado YOD – HE – VAU – HE simboliza as três dimensões do corpo: cumprimento, largura e altura ou profundidade, uma vez que é formado pôr apenas três diferentes letras, YOD-HE-VAU; VAU cujo valor numérico é 6 indica as 6 faces do corpo. O Tetragrama com suas quatro letras tem afinidade com a Unidade., pois 4 e 1 são quadrados perfeitos, e pôr fim o Tetragrama lembra ao Aprendiz que ele passo pelas quatros provas dos Elementos da Natureza: TERRA, AR, ÁGUA e FOGO.

A educação na Maçonaria

O cidadão que bate na porta de um templo da Maçonaria em busca da luz, a educação que leva à sabedoria, aguarda que a ordem maçônica possua um método de ensino que o transformá-lo em homem melhor do que já é. Isso é evidente na redação da absoluta maioria das propostas de admissão.
Tempos depois, alguns não encontram esse tesouro, desiludem-se e adormecem. Para eles, a almejada luz foi apenas um lampejo. Longe de constituir falha do método maçônico de educação de construtores sociais, a rotatividade é devida principalmente a nesses cidadãos a luz não penetrar, isso porque eles mesmos não o permitem. A anomalia é consequência do condicionamento a que foram submetidos ao confundirem educação com aquisição de conhecimentos na sociedade. É comum não perceberem a sutil diferença entre os dois propósitos. Professor de escola da sociedade ensina, transmite conhecimentos e não educa. São raros os professores das escolas que mostram caminhos e motivam o livre pensamento, e mesmo assim, isso ainda não constitui educação.
Em educação existe apenas o ato de educar-se, de receber luz de fora e sedimentar em si novos conceitos, princípios e prática de virtudes. É impossível educar outra pessoa, a não ser que essa, na prática de seu livre-arbítrio, consinta e se esforce em mudar a si próprio. No universo dos seres pensantes existe apenas a autoeducação. Qualquer um só pode educar a si próprio. Ao mestre maçom é dada a atribuição de ensinar. Pelo modelo do mundo, é de sua atribuição transmitir conhecimentos e, pelo da Maçonaria, é induzir o educando a decidir qual caminho deseja seguir em sua jornada. O método da ordem maçônica visa a provocar que cada um descubra seus próprios caminhos. Ler em conjunto as instruções do ritual não faz do mestre um educador maçônico, mas um professor que transmite conhecimento; ele não induz à luz, à educação da Maçonaria, à almejada sabedoria; para tal, ele carece de um condicionamento de autoformação. O mestre que apenas dá instruções de forma mecânica nem instrui, pois se comporta à semelhança do modelo do mundo, onde os governos propiciam instrução e igrejas conceitos de ação e moral, que na maioria das vezes visa apenas a escravizar para o trabalho ou ao fundamentalismo radical. Auxiliar alguém a mudar o rumo de sua jornada, na presença do livre-arbítrio, é educação. Romper a “couraça de aço” que envolve o intelecto do educando exige uma expressão de arte, algo quase místico.
Para despertar dentro do educando as potencialidades de seus dons, exige-se do mestre obter conhecimento lato da natureza humana. Para aprofundar-se no conhecimento das características humanas exige-se dele que conheça antes a si mesmo da forma mais ampla possível – é a essência do “conhece-te a ti mesmo”, de Sócrates. Esse autoconhecimento só aflora quando ele atinge a fase de autor-realização em sua vida, o último estágio que um ser humano atinge depois de atender a todas as demais necessidades, e que Abraham Maslow definiu para o indivíduo que procura “tornar-se aquilo que os humanos podem ser, eles devem ser: eles devem ser verdades à própria natureza delas”.
É nesse último nível que se considera a pessoa coerente com aquilo que ela é na realidade, seu verdadeiro eu, de ser tudo o que é capaz de ser, de desenvolver seus potenciais até o limite. Só então é possível ao mestre conhecer a natureza humana alheia, em que a educação passa a obter característica de arte ao invés de ciência. É ilusão pensar que pelo fato do maçom ver-se mergulhado numa sociedade de homens bons, livres e de bons costumes, já seja o suficiente para fazer dele um homem bom. Se ele não o desejar e não agir conforme, de nada adiantam os melhores mestres que nunca obterá a sabedoria maçônica; essa luz só penetra num homem se esse o permitir. Por mais que o mestre se esforce, ou possua proficiência num determinado tema, se o caminho para dentro do educando não estiver aberto, isso não sedimentará e não se transformará em educação ou em luz maçônica.
Se o recipiendário não se abre ao que lhe é transmitido, de nada vale o mais habilidoso educador. O mestre educador exerce apenas um impacto indireto, por uma espécie de indução; um potencial que todos têm latente em si de influenciar terceiros por um conjunto de atividades intelectuais, afetivas e espirituais. Para romper os bloqueios do educando, o mestre deve encontrar-se primeiro, mudar- -se, e só então obterá a capacidade de induzir luz maçônica ao outro – de fazer o outro mudar – momento em que, mente e coração do educando se abrem, e ele mesmo passa a efetuar mudanças em si, exercendo seu potencial de autoeducação. Em todos os casos o educando só muda se o mestre mudar antes.
O aprendizado torna-se ainda mais eficiente quando as provocações provêm da ação do grupo sobre o indivíduo – é o efeito tribal fixado profundamente na mente de cada indivíduo, fenômeno psicológico e social desenvolvido desde os vetustos homens das cavernas – é quando a maioria das barreiras e bloqueios desaba e abre-se espaço para a autoeducação; nesse caso, com o objetivo de obter aprovação do grupo e identificar-se com seus semelhantes.
Fica mais efetivo quando uma força assemelhada é aplicada a si mesmo, para obter a aprovação própria, algo que lança o homem na obtenção de sua derradeira necessidade: a autorrealização. Note-se que educação maçônica, a luz, a sabedoria, não têm nada a ver com decorar rituais, conhecer ritualística, ser uma enciclopédia ambulante; é uma arte que adquire contornos quase mágicos, principalmente quando os resultados aparecem e produzem bons frutos ao induzir os outros a mudarem para melhor como edificadores sociais.
Enquanto a ciência pode ter tratamento intelectual com a transmissão de instruções, a arte de educar da Maçonaria vai muito além, e alcança intuição cósmica, limitada apenas nas fronteiras que cada um impõe a si próprio. Enquanto o talento analisa e é consciente, o gênio intui e vai muito além da consciência, pode até alcançar o místico.
Abordagens técnicas não furam a couraça do livre arbítrio do educando, mas a alma da educação pode ser alcançada pela “metafísica” da arte de ensinar os caminhos para a luz. É uma mistura equilibrada de conhecimento, emoção e espiritualidade; elementos dependentes entre si. A educação que quebra as barreiras do livre-arbítrio apresentará sempre contornos lúdicos na sua indução. Para isso exigem-se do educador maçônico autoconhecimento e autorrealização.
Tal personagem porta a capacidade de induzir na mente do educando uma caminhada que o motiva a efetuar mudanças em sua vida; não porque o mestre assim o determina ou exemplifica, mas porque o educando assim o deseja. Quando o mestre adquire essa arte de atingir e motivar o educando pela autoeducação, terá quebrado a barreira da indiferença do livre-arbítrio e o educando se modifica porque ele assim se auto-determina.
Com isso, o mestre alcança a plenitude de sua atribuição. É a razão do educador maçônico nunca ser definitivo em suas colocações e sempre apresentar as verdades sob diversos ângulos, para que o educando possa escolher ele próprio qual é o melhor caminho a seguir. É a razão de propiciar aos educandos a possibilidade de debater num grupo, em família, os temas com que a Maçonaria os provoca e eles mesmos definirem, cada um a sua maneira, suas próprias verdades.
É a razão de o mestre brincar com os pensamentos, propiciando emoção agradável, conduzindo as provocações apenas na direção certa do tema e que cada um define suas próprias veredas. Em todos os casos nos quais o educando sente-se livre para pensar e intuir, ele derruba as inexpugnáveis barreiras do livre-arbítrio que o impedem, em outras circunstâncias mais rígidas e ritualísticas, de obter as suas próprias verdades pelos eternos ciclos de tese, antítese e síntese.
Da mágica que se segue da absorção da luz pela auto-educação é que surge a razão do maçom nunca iniciar um trabalho sem invocar a fonte espiritual da arte de educar à glória do Grande Arquiteto do Universo, a única fonte de luz da Maçonaria.