PERITO JUDICIAL,GESTOR EMPRESARIAL E CONSULTOR EM MARCAS E PATENTES,DR. EM ECONOMIA.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
13 dicas para bombar o seu negócio em 2013
Coisas boas acontecem para empreendedores que são pacientes e adotam medidas consistentes para construir um negócio de sucesso. Concorda?
Fim de ano é tempo de reavaliação das coisas boas e das coisas nem tão boas que aconteceram ao longo do ano. Coisas boas sempre podem ser reforçadas e devem servir de inspiração na caminhada. Coisas ruins servem de aprendizado e devem ser eliminadas para que não voltem a proporcionar dor de cabeça.
Em negócios não é diferente. Como já foi dito anteriormente, não há esperança para quem vive apenas de esperança. Mais do que uma estratégia bem consolidada, mudar determinada condição requer, na maioria dos casos, um olhar diferente para uma mesma situação.
Dessa forma, compartilho aqui treze dicas fundamentais para mudar a cara do seu negócio no próximo ano, à luz da minha experiência profissional vivenciada em pequenas, médias e grandes empresas ao longo do ano.
Aqui não existe utopia, mas, uma constatação pura e simples de alguns equívocos cometidos por empresários, empreendedores e líderes em geral que, trabalhadas de maneira diferente, vão fazer uma diferença enorme na gestão do seu negócio.
1. Dê importância à estratégia: quanto mais operacional, menos estratégico, lembra? Pare de vez em quando e pense nas pequenas estratégias que, somadas, o levarão a atingir uma estratégia maior. O empreendedor que não pensa estrategicamente não sai do lugar e você também já sabe: quem não sabe para onde vai, qualquer lugar serve. Isole-se com frequência para pensar mais nas coisas que vão melhorar o seu negócio, senão, as forças contrárias tomam conta da situação.
2. Mão de ferro no Fluxo de Caixa: entenda de uma vez por todas, a felicidade é um fluxo de caixa positivo. Não há empresa que resista sem um controle de despesas e receitas mais próximo possível da realidade. Se você não adquirir a consciência de que isso é importante e não tratar as contas com a seriedade necessária, não há salvação para o seu negócio.
3. Monitore os resultados diariamente: se você não é bom vendedor, ajude a si mesmo, contrate um bom vendedor, mas, a única forma de perceber isso é monitorando os resultados com mais frequência; somente o acompanhamento sistemático dos resultados vai obriga-lo a repensar o negócio continuamente e promover os ajustes necessários para mudar a realidade.
4. Reavalie o comportamento da equipe: não espere que os seus colaboradores estejam tão comprometidos com o seu negócio quanto você. Se as coisas não estão indo bem como gostaria, promova reuniões de realinhamento ou, como eu gosto de mencionar, reposicionamento das pessoas. Elas precisam entender de maneira clara o seu papel na empresa. Se você não disser a cada um que ele deve fazer e não monitora-lo com frequência, não espere nada diferente. Um negócio bem-sucedido, antes de ser técnico ou financeiro, é um processo humano; as pessoas são importantes.
5. Evite atalhos: livros ajudam, principalmente os meus, entretanto, uma boa consultoria por meio do Sebrae ou mesmo de um consultor autônomo vão ajuda-lo de maneira mais produtiva e consistente; da mesma forma, se você optar por ferramentas ou aconselhamentos meia-boca, o que você vai conseguir é algo do tipo meia-boca.
6. Reinvista os lucros sempre que possível: eu sei que você precisa sobreviver e quer aproveitar enquanto ainda dá tempo, mas, separe uma parte dos ganhos para investir em melhorias: processos, ferramentas, pessoas etc. Vai levar um tempo ainda para ficar rico, mas, enquanto esse tempo não chega, canalize esforços para a melhoria do negócio.
7. Repense o atendimento: estratégia é importante, fluxo de caixa também, entretanto, o atendimento ainda é a coisa mais importante do seu negócio e, nesse sentido, a maioria das empresas tem muito para evoluir. Pense numa empresa onde o atendimento é uma referência, copie descaradamente e adapte um novo modelo para o seu empreendimento. De vez quando, mude-se para o outro lado e sonde os seus empregados. Eles são, na maioria dos casos, a fonte do mau atendimento prestado pela sua empresa.
8. Visite a concorrência: o seu concorrente tem pontos fortes e pontos fracos. Pontos fortes são difíceis de derrubar. Pontos fracos podem ajuda-lo a pensar de maneira diferente. Em relação a esse ponto fraco do concorrente, como eu posso fazer melhor?
9. Utilize o bom senso e a simplicidade: pare de inventar a roda, bom senso e simplicidade são melhores que complexidade e sofisticação; quanto mais você se liga no que dizem as revistas, mais confunde a própria cabeça; a simplicidade é difícil de ser conseguida, mas o bom senso não; sofistique na medida em que tiver recursos e simplifique sempre que possível.
10. Redistribua as funções: pare de se iludir imaginando que uma única pessoa é capaz de tomar conta de tudo: finanças, recursos humanos, atendimento, entrega etc. Reavalie a estrutura organizacional, defina uma boa matriz de responsabilidades (quem faz o que, quem responde pelo que) e reorganize a casa; quem quer ser tudo para todos, acaba não sendo nada, lembra?
11. Reavalie os processos: o que significa isso? Processos são a forma, o método ou a maneira como as coisas devem ser feitas. Em suma, é o seu jeito de fazer negócio. Nada de sofisticação, apenas uma sequencia lógica de ações descritas no papel de como as coisas precisam ser feitas. Por que isso é necessário? Para evitar que você fique refém das pessoas e possa melhorar cada vez mais.
12. Não confunda saldo em caixa com resultado: por incrível que pareça, isso ainda é uma grande dificuldade; saldo em caixa é o volume de dinheiro registrado todos os dias considerando todas as receitas e despesas correntes; resultado é o lucro apurado ao final de cada exercício contábil – mensal, trimestral, semestral, anual.
13. Assuma o verdadeiro papel de empreendedor: assuma definitivamente a liderança do negócio, evite trata-lo apenas como fonte de sobrevivência, tenha coragem de mudar o que precisa ser mudado e comprometa-se a chegar ao fim do próximo ano bem melhor do que quando começou. Ser empreendedor é um exercício constante de evolução.
Por fim, lembre-se: a sorte favorece os que são persistentes, porém, enquanto a sorte não vem, continue caminhando e jamais perca o seu objetivo de vista. Não há segredos, somente o trabalho duro e consistente dará resultados.
Boa Sorte em 2013!
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Fabricantes de Ar Condicionado - Brasil
Em outro momento falaremos individualmente de cada um citado aqui.
Confira a lista abaixo:
Condensação ar x água Quebrando paradigmas
Um
dos grandes dilemas nos projetos de sistemas de ar condicionado sempre
foi a decisão sobre adoção de sistemas de condensação a ar ou sistemas
de condensação a água. Usualmente, adotavam-se sistemas de condensação a
ar para instalações de pequeno porte e sistemas de condensação a água
para instalações de grande porte, com os dois sistemas dividindo o
mercado em instalações de médio porte.
Apesar de chillers com condensação a água terem custos inferiores a chillers com condensação a ar de mesma capacidade, a instalação completa do sistema normalmente tem custo superior, por conta dos custos adicionais de infraestrutura de água de condensação, bombas de água de condensação e torres de arrefecimento. Por outro lado, o consumo de energia elétrica em sistemas de ar condicionado sempre foi muito menor em sistemas de condensação a água do que em sistemas com condensação a ar.
O que acabou caindo no esquecimento, é que a grande vantagem no consumo de energia de sistemas de condensação a água em relação a sistemas de condensação a ar era, boa parte, oriunda da diferença de tecnologia utilizada na compressão do gás dos chillers mais antigos, quando os de condensação a ar ainda se utilizavam de compressores alternativos de baixa eficiência, enquanto que os de condensação a água, nos sistemas de grande porte, já utilizavam compressores centrífugos, muito mais eficientes.
O estudo de caso a seguir mostra a quebra do paradigma de custos operacionais mais baixos em sistemas de condensação a água de grande porte em relação a sistemas de condensação a ar.
A principal razão para esta quebra de paradigma está no fato de hoje já dispormos de chillers com condensação a ar com compressores centrífugos de alta eficiência, de tal forma que se faz possível a comparação destes dois sistemas ora baseados na mesma tecnologia de compressão do gás (a centrífuga, mais eficiente de todas).
Notaremos que o consumo de energia dos chillers continuará sendo bem mais alto na condensação a ar do que na condensação a água – em média, 50% –, como era de se esperar em função das temperaturas de condensação mais altas. Contudo, esta diferença já começa a diminuir a partir da adição dos consumos das bombas de água de condensação e dos ventiladores das torres de arrefecimento, especialmente quando operando em cargas parciais, visto que, normalmente, as bombas de água de condensação operam com vazões constantes. Se mantivermos o “set point” dos ventiladores das torres de arrefecimento em torno de 18,5ºC para máxima eficiência dos chillers, também estes ventiladores operarão a 100% de capacidade na maior parte do tempo.
Premissas do estudo de caso
- Localização - São Paulo;
- Operação de segunda a sexta-feira das 8:00h às 20:00h;
- Carga térmica de pico de 1.000 TR;
- Variação anual da carga de 200 TR à 1.000 TR, com carga média anual de 67% (670 TR);
- Temperatura de saída da água gelada dos chillers de 7,0ºC;
- Temperatura de retorno da água gelada de 12,5ºC;
- Custo do kWh de energia elétrica de R$ 0,325;
- Custo do m³ da água de reposição das torres de R$ 9,78 conforme tabela Sabesp para contrato de demanda firme (fidelidade) em vazões de 1.001 m³/mês a 2.999 m³/mês;
- Distribuição de temperaturas anuais de bulbo seco e de bulbo úmido conforme tabelas BIN abaixo;
- Temperatura de saída da água das torres de arrefecimento igual a temperatura de bulbo úmido local no horário + 5,5ºC de “aproach” das torres;
- 90% do calor a ser rejeitado pelas torres feito através de troca latente (evaporação de água);
- 25% da água a ser consumida pelas torres de arrefecimento reposta pela água de condensação dos fancoils do empreendimento.
Opção com condensação a água:
- Dois chillers de 500 TR com compressores centrífugos de alta eficiência (COP = 0,585 kW/TR e IPLV = 0,330 kW/TR);
- Três bombas (duas operantes + uma reserva) bombas de água de condensação cada uma com vazão de 325 m³/h e com motores de 50 Cv;
- Duas torres de arrefecimento com ventiladores com motores de 30 Cv.
Opção com condensação a ar:
- cinco chillers de 220 TR com compressores centrífugos de alta eficiência (COP = 1,066 kW/TR e IPLV = 0,560 kW/TR);
Como podemos verificar nas Tabelas 1 a 5 o NPLV calculado para as condições de operação em São Paulo, nas porcentagens de cargas parciais entre 40% e 100% especificadas nas mesmas, é pior (maior consumo) do que o IPLV determinado pela ASHRAE na condição AHRI 550/590 Standard, que estabelece operação a 100% de carga somente durante 1% do tempo, 75% de carga durante 42% do tempo, 50% de carga durante 45% do tempo e 25% de carga durante 12% do tempo, com respectivas reduções nas temperaturas externas para chillers a ar e temperaturas de água de condensação para chillers a água conforme a redução das cargas. Isso mostra que este é um cálculo mais conservador e realista para as condições operacionais da respectiva localidade – no caso, São Paulo –, e instalação (carga variando de 200 TR a 1000 TR com mais de um equipamento, o que permite operar com variação por equipamento de 40% a 100%).





Como estamos considerando que o calor rejeitado pelas torres de arrefecimento é feito 90% por troca latente (evaporação de água) e 10% por troca sensível, e que a carga térmica média anual é de 670 TR (67% da carga térmica de pico), na tabela abaixo apresentamos o cálculo do consumo médio de água para a rejeição da carga térmica de 670 TR, valor este de apenas 603 TR (90%) a ser feito por troca latente.
Como podemos verificar na Tabela 6, consideremos que não pagaríamos por 25% da vazão de água consumida pelas torres, pois esta vazão seria oriunda de reuso da água condensada nos fancoils.
Com base nos números acima, podemos agora calcular as despesas operacionais anuais médias para os dois sistemas (condensação a ar e condensação a água).

No caso de São Paulo, por mais absurdo que seja, a grande maioria dos empreendimentos com sistemas de ar condicionado com condensação a água está pagando a tarifa de esgoto pela água evaporada nas torres de arrefecimento, de tal forma que é desta forma que apresentaremos os cálculos a seguir, conforme Tabela 7 e 8. A representação gráfica do comparativo está na Tabela 9.



Considerações finais
Como podemos verificar nas tabelas e gráficos acima, em termos anuais médios (considerando-se as cargas parciais ao longo do ano em São Paulo), a economia de energia com sistema de condensação a água é mínima em relação ao sistema de condensação a ar, e não paga os custos relativos ao pagamento à concessionária pela água de reposição das torres de arrefecimento. Portanto, o paradigma de que sistemas de condensação a água apresentam custos operacionais mais baixos do que sistemas de condensação a ar em instalações de grande porte já não é mais uma certeza absoluta, devendo ser analisado caso a caso, local por local.
A água é um recurso natural precioso, cada dia mais escasso e importante. Seu custo no Brasil vem aumentando significativamente, e de forma mais acentuada do que o custo da própria energia elétrica. Acredita-se que as próximas guerras serão por acesso a água.
O The Green Grid, consórcio global de companhias, agências governamentais e instituições educacionais dedicado ao avanço da eficiência energética em data centers, desenvolveu uma nova métrica que complementa a série de métricas introduzidas nos últimos anos e avalia a evolução da eficiência energética e sustentabilidade de data centers, que incluem o PUETM (Power Usage Effectiveness) e o CUETM (Carbon Usage Effectiveness), denominada WUETM (Water Usage Effectivess), que é a razão entre o uso anual de água medida em litros e o consumo de energia anual dos equipamentos de TI, medido em kWh. Mais informações através do link: http://www.thegreengrid.org/~/media/WhitePapers/WUE. Não por acaso que novos Data Centers, como do BBVA (Espanha) e do Santander (Espanha e Brasil) optaram por sistemas de condensação a ar.
Por conta do mencionado acima, faz-se necessário que analisemos melhor o uso que estamos fazendo da água tratada fornecida pelas concessionárias. Não faz sentido utilizá-la para abastecimento de torres de arrefecimento de sistemas de ar condicionado para gerarem uma pequena economia de energia, que não faz jus a preciosidade deste recurso.
Não podemos esquecer que em cidades litorâneas, mesmo com os menores custos operacionais ora demonstrados para sistemas de condensação a ar, estes sistemas podem não ser apropriados, por conta da degradação dos equipamentos pela maresia.
Contudo, considero que em locais onde não tenhamos o problema de degradação dos chillers a ar pela maresia, os sistemas de condensação a ar são mais adequados, e podem, na maioria dos casos, apresentar custos operacionais totais (energia elétrica + água + tratamento de água) inferiores aos sistemas de condensação a água. Lembrando que estudos devem ser feitos para cada localidade, pois as tarifas de água no Brasil têm diferenças maiores de preço por localidade do que as tarifas de energia elétrica, que variam mais em função da tensão de fornecimento e tipo de contrato.
Por analogia, apesar de não dispor de dados detalhados por temperatura, como os utilizados para a comparação dos sistemas de expansão indireta (água gelada), acredito que estes resultados possam ser extrapolados para comparação de sistemas VRF de condensação a ar e condensação a água, onde, em ambos os casos, a tecnologia de compressão será a mesma (compressores scroll inverter).
Portanto, considero que sistemas de ar condicionado de condensação a água devam necessariamente vir acompanhados de projetos para reaproveitamento de águas (pluviais, condensação, entre outras), que possam garantir, se não a totalidade da água a ser consumida pelas torres de arrefecimento, pelo menos uma parcela significativa ( acima de 50% ). Desta forma, serão não só reduzidos os custos operacionais, como também contribuiremos para soluções mais sustentáveis.
Apesar de chillers com condensação a água terem custos inferiores a chillers com condensação a ar de mesma capacidade, a instalação completa do sistema normalmente tem custo superior, por conta dos custos adicionais de infraestrutura de água de condensação, bombas de água de condensação e torres de arrefecimento. Por outro lado, o consumo de energia elétrica em sistemas de ar condicionado sempre foi muito menor em sistemas de condensação a água do que em sistemas com condensação a ar.
O que acabou caindo no esquecimento, é que a grande vantagem no consumo de energia de sistemas de condensação a água em relação a sistemas de condensação a ar era, boa parte, oriunda da diferença de tecnologia utilizada na compressão do gás dos chillers mais antigos, quando os de condensação a ar ainda se utilizavam de compressores alternativos de baixa eficiência, enquanto que os de condensação a água, nos sistemas de grande porte, já utilizavam compressores centrífugos, muito mais eficientes.
O estudo de caso a seguir mostra a quebra do paradigma de custos operacionais mais baixos em sistemas de condensação a água de grande porte em relação a sistemas de condensação a ar.
A principal razão para esta quebra de paradigma está no fato de hoje já dispormos de chillers com condensação a ar com compressores centrífugos de alta eficiência, de tal forma que se faz possível a comparação destes dois sistemas ora baseados na mesma tecnologia de compressão do gás (a centrífuga, mais eficiente de todas).
Notaremos que o consumo de energia dos chillers continuará sendo bem mais alto na condensação a ar do que na condensação a água – em média, 50% –, como era de se esperar em função das temperaturas de condensação mais altas. Contudo, esta diferença já começa a diminuir a partir da adição dos consumos das bombas de água de condensação e dos ventiladores das torres de arrefecimento, especialmente quando operando em cargas parciais, visto que, normalmente, as bombas de água de condensação operam com vazões constantes. Se mantivermos o “set point” dos ventiladores das torres de arrefecimento em torno de 18,5ºC para máxima eficiência dos chillers, também estes ventiladores operarão a 100% de capacidade na maior parte do tempo.
Premissas do estudo de caso
- Localização - São Paulo;
- Operação de segunda a sexta-feira das 8:00h às 20:00h;
- Carga térmica de pico de 1.000 TR;
- Variação anual da carga de 200 TR à 1.000 TR, com carga média anual de 67% (670 TR);
- Temperatura de saída da água gelada dos chillers de 7,0ºC;
- Temperatura de retorno da água gelada de 12,5ºC;
- Custo do kWh de energia elétrica de R$ 0,325;
- Custo do m³ da água de reposição das torres de R$ 9,78 conforme tabela Sabesp para contrato de demanda firme (fidelidade) em vazões de 1.001 m³/mês a 2.999 m³/mês;
- Distribuição de temperaturas anuais de bulbo seco e de bulbo úmido conforme tabelas BIN abaixo;
- Temperatura de saída da água das torres de arrefecimento igual a temperatura de bulbo úmido local no horário + 5,5ºC de “aproach” das torres;
- 90% do calor a ser rejeitado pelas torres feito através de troca latente (evaporação de água);
- 25% da água a ser consumida pelas torres de arrefecimento reposta pela água de condensação dos fancoils do empreendimento.
Opção com condensação a água:
- Dois chillers de 500 TR com compressores centrífugos de alta eficiência (COP = 0,585 kW/TR e IPLV = 0,330 kW/TR);
- Três bombas (duas operantes + uma reserva) bombas de água de condensação cada uma com vazão de 325 m³/h e com motores de 50 Cv;
- Duas torres de arrefecimento com ventiladores com motores de 30 Cv.
Opção com condensação a ar:
- cinco chillers de 220 TR com compressores centrífugos de alta eficiência (COP = 1,066 kW/TR e IPLV = 0,560 kW/TR);
Como podemos verificar nas Tabelas 1 a 5 o NPLV calculado para as condições de operação em São Paulo, nas porcentagens de cargas parciais entre 40% e 100% especificadas nas mesmas, é pior (maior consumo) do que o IPLV determinado pela ASHRAE na condição AHRI 550/590 Standard, que estabelece operação a 100% de carga somente durante 1% do tempo, 75% de carga durante 42% do tempo, 50% de carga durante 45% do tempo e 25% de carga durante 12% do tempo, com respectivas reduções nas temperaturas externas para chillers a ar e temperaturas de água de condensação para chillers a água conforme a redução das cargas. Isso mostra que este é um cálculo mais conservador e realista para as condições operacionais da respectiva localidade – no caso, São Paulo –, e instalação (carga variando de 200 TR a 1000 TR com mais de um equipamento, o que permite operar com variação por equipamento de 40% a 100%).
Como estamos considerando que o calor rejeitado pelas torres de arrefecimento é feito 90% por troca latente (evaporação de água) e 10% por troca sensível, e que a carga térmica média anual é de 670 TR (67% da carga térmica de pico), na tabela abaixo apresentamos o cálculo do consumo médio de água para a rejeição da carga térmica de 670 TR, valor este de apenas 603 TR (90%) a ser feito por troca latente.
Como podemos verificar na Tabela 6, consideremos que não pagaríamos por 25% da vazão de água consumida pelas torres, pois esta vazão seria oriunda de reuso da água condensada nos fancoils.
Com base nos números acima, podemos agora calcular as despesas operacionais anuais médias para os dois sistemas (condensação a ar e condensação a água).
No caso de São Paulo, por mais absurdo que seja, a grande maioria dos empreendimentos com sistemas de ar condicionado com condensação a água está pagando a tarifa de esgoto pela água evaporada nas torres de arrefecimento, de tal forma que é desta forma que apresentaremos os cálculos a seguir, conforme Tabela 7 e 8. A representação gráfica do comparativo está na Tabela 9.
Considerações finais
Como podemos verificar nas tabelas e gráficos acima, em termos anuais médios (considerando-se as cargas parciais ao longo do ano em São Paulo), a economia de energia com sistema de condensação a água é mínima em relação ao sistema de condensação a ar, e não paga os custos relativos ao pagamento à concessionária pela água de reposição das torres de arrefecimento. Portanto, o paradigma de que sistemas de condensação a água apresentam custos operacionais mais baixos do que sistemas de condensação a ar em instalações de grande porte já não é mais uma certeza absoluta, devendo ser analisado caso a caso, local por local.
A água é um recurso natural precioso, cada dia mais escasso e importante. Seu custo no Brasil vem aumentando significativamente, e de forma mais acentuada do que o custo da própria energia elétrica. Acredita-se que as próximas guerras serão por acesso a água.
O The Green Grid, consórcio global de companhias, agências governamentais e instituições educacionais dedicado ao avanço da eficiência energética em data centers, desenvolveu uma nova métrica que complementa a série de métricas introduzidas nos últimos anos e avalia a evolução da eficiência energética e sustentabilidade de data centers, que incluem o PUETM (Power Usage Effectiveness) e o CUETM (Carbon Usage Effectiveness), denominada WUETM (Water Usage Effectivess), que é a razão entre o uso anual de água medida em litros e o consumo de energia anual dos equipamentos de TI, medido em kWh. Mais informações através do link: http://www.thegreengrid.org/~/media/WhitePapers/WUE. Não por acaso que novos Data Centers, como do BBVA (Espanha) e do Santander (Espanha e Brasil) optaram por sistemas de condensação a ar.
Por conta do mencionado acima, faz-se necessário que analisemos melhor o uso que estamos fazendo da água tratada fornecida pelas concessionárias. Não faz sentido utilizá-la para abastecimento de torres de arrefecimento de sistemas de ar condicionado para gerarem uma pequena economia de energia, que não faz jus a preciosidade deste recurso.
Não podemos esquecer que em cidades litorâneas, mesmo com os menores custos operacionais ora demonstrados para sistemas de condensação a ar, estes sistemas podem não ser apropriados, por conta da degradação dos equipamentos pela maresia.
Contudo, considero que em locais onde não tenhamos o problema de degradação dos chillers a ar pela maresia, os sistemas de condensação a ar são mais adequados, e podem, na maioria dos casos, apresentar custos operacionais totais (energia elétrica + água + tratamento de água) inferiores aos sistemas de condensação a água. Lembrando que estudos devem ser feitos para cada localidade, pois as tarifas de água no Brasil têm diferenças maiores de preço por localidade do que as tarifas de energia elétrica, que variam mais em função da tensão de fornecimento e tipo de contrato.
Por analogia, apesar de não dispor de dados detalhados por temperatura, como os utilizados para a comparação dos sistemas de expansão indireta (água gelada), acredito que estes resultados possam ser extrapolados para comparação de sistemas VRF de condensação a ar e condensação a água, onde, em ambos os casos, a tecnologia de compressão será a mesma (compressores scroll inverter).
Portanto, considero que sistemas de ar condicionado de condensação a água devam necessariamente vir acompanhados de projetos para reaproveitamento de águas (pluviais, condensação, entre outras), que possam garantir, se não a totalidade da água a ser consumida pelas torres de arrefecimento, pelo menos uma parcela significativa ( acima de 50% ). Desta forma, serão não só reduzidos os custos operacionais, como também contribuiremos para soluções mais sustentáveis.
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